Há motivos para comemorar

Há um sentimento na sociedade de que ‘é tudo farinha do mesmo saco’, mas há parlamentares que não colocam seus interesses acima do interesse público.


ERMINIA MARICATO

4BCF59910F013B70AE6A7226C3D82963E7132C2E77ADEA7625F426A93F775B1E

Evidentemente temos de admitir uma derrota na votação do impeachment pelo Congresso conduzido por seu qualificado (para certas finalidades) presidente, Eduardo Cunha, ali mantido por interesses aparentemente inexplicáveis já que é réu no STF.
Não se desconhece aqui a dimensão dos interesses americanos no Pré Sal e a influência dos EUA em todo esse processo de produção da crise política no Brasil. Lendo Snowden e  Assange sobre as peripécias das agencias americanas de segurança e inteligência (NSA e CIA), acompanhando os treinamentos que empreenderam junto a setores do Estado brasileiro, acompanhando ainda o processo da Lava Jato (informações podem vir diretamente das ciclópicas bacias de gravações de comunicações internas ou externas aos EUA) percebo que a realidade extrapola meus delírios mais persecutórios. A crise tem forte componente internacional.

Não se desconhece ainda os acertos do PT e se vamos aqui fazer  críticas é com a intenção de aproveitar o momento para aprofundar mudanças e isso inclui obviamente o PT de quem muitos de nós, entre os quais Leonardo Boff e Frei Beto,  esperam a indispensável autocrítica.   

Mas quero destaxar que nem tudo é motivo de tristeza nessas semanas que culminaram no inesquecível dia 17 de abril. Diria até mesmo, sem querer abusar demais da dialética, que há motivos de satisfação.

Como nos lembra João Paulo, líder do MST, nos últimos 30 dias a esquerda avançou mais do que nos últimos 10 anos.  Saímos de uma letargia que acometeu principalmente o PT após o mensalão. Nem os acontecimentos de junho de 2013, uma senha que parece atestar o fim da hegemonia petista na política nacional,  despertou a militância ou a direção do partido que ocupa dezenas de governos municipais e estaduais além do Federal. Foram 3 anos de massacre midiático durante o qual o ódio ao PT foi fomentado semana a semana, todas as horas de todos os dias.

O ex- porta voz de Collor, jornalista Claudio Humberto, tem uma coluna de fácil leitura em um pequeno jornal que é distribuído gratuitamente nos transportes coletivos e automóveis de São Paulo. Calúnias atrás de calúnias chegam  todos os dias, durante anos, repito, às mãos dos leitores disponíveis durante as viagens. Mas esse é apenas um dos exemplos. Os mais gritantes vieram da Venus Platinada, ou TV Globo. O PT esperou que a água chegasse ao nariz para então mobilizar sua máquina, que não é nada desprezível já que conta com mais de 1 milhão de filiados.

A boa notícia é que não só o PT saiu do atoleiro (e parece que o ataque ao Lula e sua reação foram determinantes para isso) mas toda a esquerda começou, ainda que tardiamente, a se reunir. Segundo pesquisa da FPA- Fundação Perseu Abramo, aproximadamente 30% dos participantes do último ato na Avenida Paulista contra o impeachment eram simpatizantes ou participantes do PSOL.

Durante o último mês o apoio ao impeachment diminuiu muito como mostrou o Data Folha. Com o avanço das manifestações de rua, multiplicação de manifestos, atos em universidades, ampliação da presença dos blogs ou multiplicação de informações nas redes, milhares de jovens que tinham aderido ao senso comum promovido pela grande mídia começaram a duvidar de tudo o que ouviam. Mas foi a entrada dos artistas, cantores, atores, cineastas, escritores, entre outros, que marcou uma saída do aparente isolamento e dispersão em que nos encontrávamos.  Humor e criatividade são essenciais para enfrentar a pobreza do senso comum, o cinismo (especialmente do processo da Lava Jato)  e as ideias que namoram o fascismo.

A verdade liberta. Da Biblia à Freud, passando por Marx, entre muitos outros, o que interessa ressaltar aqui é que as versões começaram a ser questionadas. Até mesmo o fatídico evento da votação do impeachment na Câmara Federal me pareceu proveitoso se nos protegermos dos seus efeitos sobre o aparelho digestivo. Porque ele foi profundamente revelador. Até mesmo experientes analistas políticos se surpreenderam com a performance dos deputados federais conservadores. Tratou-se de um espetáculo didático.

Netos e netas, filhos e filhas, esposas e esposos, pais e mães, e até amigos (!) foram mencionados de forma exagerada por biotipos característicos da elite branca, endinheiradae, devemos acrescentar, em grande parte, emergente.  Não se tratava, no mais das vezes, da referência ao conceito de família mas da minha família com nomes individuais sendo citados à moda de programas de radio, de forma até infantil. Deus mesmo, ficou em segundo plano.

Alguns analistas consideram esse Congresso o retrato da sociedade brasileira. Não não é. É o Congresso resultante das alianças políticas alargadas, do financiamento empresarial de campanha eleitoral, e do monopólio das mídias. Vamos lembrar do caso do PP

O PP foi um dos partidos que mais cresceu na última eleição. Cresceu alimentado, por exemplo, pelo controle sobre o Ministério das Cidades e parcelas da Petrobrás. A política foi reduzida a um amontoado de obras que, no mais das vezes, negou planos e prioridades sociais. As obras de mobilidade realizadas por ocasião da Copa do Mundo negaram a prioridade à mobilidade de massa. Cada vez mais poderosas as grandes empreiteiras, secundadas pelo mercado imobiliário definiram onde e no que os investimentos seriam feitos. Ou seja, o PP deve, especialmente,  ao PT, seu crescimento parlamentar. E como votou ele? Estamos diante de um caso onde melhor se aplica a expressão “cría cuervos y te sacaran los ojos.

Felizmente o PSOL, que nunca foi contemplado com cargos votou dignamente. Também mostraram consistência na esquerda o PC do B e PDT. Ëntão saudemos mais algumas revelações luminosas: a política de conciliação a qualquer preço estava errada. Existe sim esquerda e direita. Existe sim dignidade na Câmara Federal e olha que não são tão poucos. Há um sentimento em setores da sociedade que “é tudo farinha do mesmo saco”. Não não é. Há  parlamentares que contrariam interesses da mídia, dos poderosos e não colocam seus interesses acima do interesse público. Eles são mais de uma centena! Essa verdade precisa chegar ao povo. Saudemos ainda a unidade da esquerda. A formação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e o posicionamento do PSOL e PDT mudaram o quadro da esquerda rapidamente.

A FBP, Frente Brasil Popular está apostando numa construção ou reconstrução de médio prazo com a elaboração de uma proposta para o Brasil. Para muitos de nós há vida fora do aparelho de Estado. Quando o preço da governabilidade é tão alto que termina por fortalecer a direita é hora do passo atrás para recuperar as forças.

Finalmente teremos eleições municipais este ano. É uma boa oportunidade de retomar o protagonismo dos poderes locais e das cidades. Como lembra Fernando Haddad, a partir das cidades é possível enfrentar a crise econômica/política e social. Oxalá a esquerda não se disperse.  

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
                                                             Carlos Drummond de Andrade

 

via: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Ha-motivos-para-comemorar/4/35994

Nota da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo

Nota da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo

13041225_1770503253172466_2103926691106886167_o
Não aceitamos o golpe contra a democracia e nossos direitos!
Vamos derrotar o golpe nas ruas!

Este 17 de abril, data que lembramos o massacre de Eldorado dos Carajás, entrará mais uma vez para a história da nação brasileira como o dia da vergonha. Isso porque uma maioria circunstancial de uma Câmara de Deputados manchada pela corrupção ousou autorizar o impeachment fraudulento de uma presidente da República contra a qual não pesa qualquer crime de responsabilidade.

As forças econômicas, políticas conservadoras e reacionárias que alimentaram essa farsa têm o objetivo de liquidar direitos trabalhistas e sociais do povo brasileiro. São as entidades empresariais, políticos como Eduardo Cunha, réu no STF por crime de corrupção, partidos derrotados nas urnas como o PSDB, forças exteriores ao Brasil interessadas em pilhar nossas riquezas e privatizar empresas estatais como a Petrobras e entregar o Pré-sal às multinacionais. E fazem isso com a ajuda de uma mídia golpista, que tem como o centro de propaganda ideológica golpista a Rede Globo, e com a cobertura de uma operação jurídico-policial voltada para atacar determinados partidos e lideranças e não outros,

Por isso, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo conclamam os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, e as forças democráticas e progressistas, juristas, advogados, artistas, religiosos a não saírem das ruas e continuar o combate contra o golpe através de todas as formas de mobilização dentro e fora do País.

Faremos pressão agora sobre o Senado, instância que julgará o impeachment da presidente Dilma sob a condução do ministro Lewandowski do STF. A luta continua contra o golpe em defesa da democracia e nossos direitos arrancados na luta, em nome de um falso combate à corrupção e de um impeachment sem crime de responsabilidade.

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo desde já afirmam que não reconhecerá legitimidade de um pretenso governo Temer, fruto de um golpe institucional, como pretende a maioria da Câmara ao aprovar a admissibilidade do impeachment golpista.

Não reconhecerão e lutarão contra tal governo ilegítimo, combaterá cada uma das medidas que dele vier a adotar contra nossos empregos e salários, programas sociais, direitos trabalhistas duramente conquistados e em defesa da democracia, da soberania nacional.

Não nos deixaremos intimidar pelo voto majoritário de uma Câmararecheada de corruptos comprovados, cujo chefe, Eduardo Cunha, é réu no STF e ainda assim comandou a farsa do impeachment de Dilma.

Continuaremos na luta para reverter o golpe, agora em curso no Senado Federal e avançar à plena democracia em nosso País, o que passa por uma profunda reforma do sistema político atual, verdadeira forma de combater efetivamente a corrupção.

Na história na República, em vários confrontos as forças do povo e da democracia sofreram revezes, mas logo em seguida, alcançaram a vitória. O mesmo se dará agora: venceremos o golpismo nas ruas!

Portanto, a nossa luta continuará com paralisações, atos, ocupações já nas próximas semanas e a realização de uma grande Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, no próximo 1º de maio.

A luta continua! Não ao retrocesso! Viva a democracia!

Frente Brasil Popular
Frente Povo Sem Medo

Depoimento do Prof. Pedro Campos (UFF) sobre as empreiteiras brasileiras e a sua relação com a ditadura militar

Quem quer o impeachment quer acabar com a corrupção?

Entenda quando a corrupção entre as empreiteiras e o Estado começou e porque a operação Lava Jato e o impeachment não são as respostas para pôr fim a essa relação


O vídeo sobre o livro Estranhas Catedrais: as empreiteiras e a ditadura civil militar, 1964-1988, do professor Pedro Campos, do Departamento de História e Relações Internacionais da UFRRJ, revela a relação espúria entre as empreiteiras, grande parte das quais envolvida em corrupção até os dias atuais, e o regime militar brasileiro, quando muitas empresas enriqueceram à custa de corrupção e apoio ao regime de exceção.

Nesse vídeo, que foi veiculado durante o debate A Crise política e produção da cidade: democracia, justiça urbana e social, o autor revela o porquê da operação lavajato não ter como objetivo o fim destas relações corruptas que se estendem até hoje.

O debate aconteceu na FAU-USP, no dia 31 de março, com a participação de arquitetos e arquitetas da capital, dentre os quais Raquel Rolnik, Nilce Aravechia, Ermínia Maricato, Khaled Ghoubar, Flávio Villaça, Caio de Santo Amore. Na ocasião os professores de arquitetura expressaram os motivos pelos quais são contrários ao impeachment e a favor de saídas democráticas para a crise.

Confira, comente e compartilhe o vídeo, o momento exige a participação de todas e todos.

via: http://www.sasp.arq.br/#!Quem-quer-o-impeachment-quer-acabar-com-a-corrupção/c1l3y/570e9f3d0cf2e66d024d4a25

MANIFESTO DAS ASSESSORIAS TÉCNICAS EM HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

Arquitetos que assessoram movimentos sociais na produção participativa da moradia visando garantir o direito a arquitetura que vai além do direito à moradia.


MANIFESTO DAS ASSESSORIAS TÉCNICAS EM HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

AMBIENTE | BRASIL HABITAT | FÁBRICA URBANA | INTEGRA | PEABIRU | USINA

assessorias

CONTRA O GOLPE, PELA DEMOCRACIA, JUSTIÇA URBANA E SOCIAL

Este é mais UM MANIFESTO. É um a mais entre tantos outros que vêm sendo assinados por juristas, professores universitários, pesquisadores, militantes de movimentos sociais e outros setores da sociedade civil. Somos poucos, um grupo numericamente inexpressivo e com atuação em um campo bastante restrito. Somos PROFISSIONAIS QUE TÊM SE DEDICADO À LUTA PELA MORADIA DIGNA E PELO DIREITO À CIDADE, ao apoio a movimentos populares, atuando diretamente em projetos e obras de urbanização de favelas, regularização fundiária, produção habitacional em autogestão; vivenciando as precariedades e as melhoras das complexas periferias da metrópole paulistana contemporânea. Este é um manifesto contra o golpe de Estado, contra uma certa legalidade que vem sendo gestada nos meandros do do judiciário, contra arranjos espúrios no legislativo, tudo com amplo apoio da grande mídia. É um manifesto contra a “politização do judiciário” e a “judicialização da política”. Não é uma defesa cega desse governo e de suas práticas. É um manifesto PELA DEMOCRACIA, PELA LEGITIMIDADE DE NOSSAS INSTITUIÇÕES, PELA JUSTIÇA URBANA E SOCIAL, que são agendas absolutamente inconclusas e que mereceriam o esforço e o compromisso de toda a sociedade.

Vivemos numa cidade que é tomada como mercadoria, não como lugar de convivência e usufruto de todos o seres humanos que nela habitam. É o lugar onde empreendedores (e, ideologicamente, o cidadão comum) agem para tirar o maior proveito privado do espaço urbano, onde a pobreza e a desigualdade são marcadas no território e são problemas que parecem não nos dizer respeito. Diante desse quadro, que mudanças devemos pretender? É a corrupção (dita como a maior de toda a nossa história) o mal a ser combatido?

A corrupção que vem sendo deflagrada pelas investigações envolve muitos partidos (quase todos), agentes públicos e GRANDES EMPREITEIRAS – as mesmas que atuavam em governos anteriores, todas estruturadas durante a ditadura militar e que até pouco tempo enchiam os brasileiros de orgulho por estarem construindo as maiores obras de infraestrutura do planeta. Quanto custa a construção de uma plataforma marítima de extração de petróleo? Um estádio de futebol? Um aeroporto? Um sistema de BRT (Bus Rapid Transport) ou alguns quilômetros e um conjunto de estações de uma linha de metrô? E quanto custa construir mil casas populares? Ninguém sabe! São informações guardadas a sete chaves, com sistemas de orçamentos que mantêm “gorduras sistêmicas”, que não revelam os ganhos de produtividade, permitem aditamentos sucessivos e intransparência nos custos diretos e na lucratividade. Como temos visto, é dessa fonte que sai boa parte dos financiamentos de campanhas eleitorais e de todo o sistema político brasileiro, dos favorecimentos pessoais a governantes e a agentes públicos que decidem sobre as obras.

A corrupção, em sentido lato, não está apenas nessa operação, nas grandes obras urbanas e de infraestrutura. A CORRUPÇÃO TEM NO ESPAÇO URBANO UM CAMPO FÉRTIL: empreendimentos de grande porte que burlam a lei, empreendedores e proprietários que pressionam o poder legislativo para mudanças casuísticas de parâmetros de uso e ocupação do solo, fiscais que fazem vista grossa ou aprovam “puxadinhos” também em bairros residenciais de alta renda, negligências e conivências para as ocupações de áreas ambientalmente frágeis… E a cidade toda, construída e reconstruída “dentro -fora da lei”, faz da exceção regra, cria leis que não podem ser cumpridas, flexibiliza outras para atender aos interesses do mercado. Não se trata apenas das ações dos trabalhadores, das famílias de baixa renda a quem não resta alternativa habitacional, mas de práticas correntes (e muitas vezes legais) das elites. Por exemplo: proprietários de terra, loteadores e uma extensa cadeia produtiva alimenta e vive do “desejo de segurança”, da “privacidade” e “exclusividade” nos residenciais e loteamentos (erroneamente chamados de “condomínios”) que se alastram por cidades médias e municípios periféricos metropolitanos, fechados por meio de exceções à legislação federal de parcelamento do solo! A cidade, como de resto o nosso sistema político e o nosso cotidiano, é um mostruário de pequenas e grandes corrupções, de conflitos e defesas de interesses!

Somos contra a corrupção! Ser contra a corrupção implica também defender a clareza sobre os processos de produção no setor da construção civil, sobre custos e lucros, sobre os ganhos do valor gerado pelo trabalho humano de operários que transformam tijolo e argamassa em parede; sobre as regras e o “interesse público” na produção do espaço urbano. As assessorias técnicas trabalham junto com movimentos de luta por moradia e com comunidades para que os excedentes desses processos produtivos possam ser socializados, que possam se converter em unidades habitacionais melhores, maiores, mais bonitas e mais adequadas às necessidades das famílias que participam de todo o processo de projeto e construção. Trabalham para que a população de baixa renda possa ter o seu lugar na cidade e para que as regras e exceções que organizam a produção dessa cidade possam ser claras, compreensíveis e decididas com a participação de todos os cidadãos.

Queremos que as investigações avancem que se punam todos os responsáveis. Mas condenamos as ações ilegais, os vazamentos e as investigações seletivas, o pré-julgamento midiático e linchamento público, a supressão de direitos de defesa! Nosso sistema político, a relação entre os poderes executivos e legislativos, os contratos públicos e a própria produção da cidade (legal ou ilegal) favorecem as corrupções. QUEREMOS MUDANÇAS e queremos que elas sejam feitas por meio do fortalecimento das nossas instituições democráticas, da transparência, do controle social e participação popular na condução e nas decisões da política, em especial das políticas urbanas, por meio da garantia e ampliação de direitos urbanos.

HOJE! PRAÇA DA SÉ | 16hs

PORQUE VAMOS ÀS RUAS HOJE?

IMG_9302

A agenda do congresso nacional (Projetos de Lei que lá estão esperando uma “brecha” para votação) mostra o interesse das forças conservadoras e antidemocráticas: redução da maioridade penal, mudança no estatuto do desarmamento, diminuição de direitos trabalhistas, autonomia do congresso para demarcação de terras indígenas, privatização do pré sal, autonomia do Banco Central (os donos do dinheiro querem mais independência apesar de ganharem, com juros, neste ano, mais de R$ 530 bilhões!!!!!!) São PLs que, somados a outros tentam atacar os direitos dos trabalhadores, homossexuais, mulheres, meio ambiente, segurança alimentar, soberania nacional, políticas sociais…

A defesa do mandato de Dilma contra quem não pesa crimes provados – #impeachmantsemcrimeégolpe – e se pedaladas são crimes temos que levar o impedimento a boa parte dos governos do país –  significa a defesa da democracia. Significa fechar a porteira pela qual os ataques aos direitos, listados acima, tentarão passar. Estamos descontentes com o governo, mas isso não é motivo para apoiar um golpe na nossa frágil e importante democracia. Além do mais, os que conduzem o processo de impeachment não tem autoridade moral ou legal para fazê-lo.

Entretanto, se o golpe acontecer, não vamos nos acomodar. Cada um de nós vai encontrar forças onde nem sabia que tinha para não deixar a noite escura nos envolver. Quanto mais avançarmos agora mais fácil será apoiar ou pressionar o governo, no futuro, para tomar novos rumos, qualquer que seja esse governo. Somos muitos! Isso está provado (Recife fez a maior manifestação de sua história contra o golpe!).  Converse com qualquer pessoa que esteja desinformada desde que não sejam os violentos fascistas açulados pela Globo. Argumente, ouça pacientemente. O senso comum não pode derrotar o pensamento científico (dados sobre a realidade), mas precisamos evitar violência que é o que muitos querem.

Vamos fazer uma grande manifestação de pessoas solidárias, generosas, democráticas, humanistas, socialistas, ecologistas…

PORQUE VAMOS À RUA NESTE 31 DE MARÇO

IMG_9302

DIA 31 DE MARÇO | 16hs | PRAÇA DA SÉ

A agenda do congresso nacional (Projetos de Lei que lá estão esperando uma “brecha” para votação) mostra o interesse das forças conservadoras e antidemocráticas: redução da maioridade penal, mudança no estatuto do desarmamento, diminuição de direitos trabalhistas, autonomia do congresso para demarcação de terras indígenas, privatização do pré sal, autonomia do Banco Central (os donos do dinheiro querem mais independência apesar de ganharem, com juros, neste ano, mais de R$ 530 bilhões!!!!!!) São PLs que, somados a outros tentam atacar os direitos dos trabalhadores, homossexuais, mulheres, meio ambiente, segurança alimentar, soberania nacional, políticas sociais…

A defesa do mandato de Dilma contra quem não pesa crimes provados – #impeachmantsemcrimeégolpe – e se pedaladas são crimes temos que levar o impedimento a boa parte dos governos do país –  significa a defesa da democracia. Significa fechar a porteira pela qual os ataques aos direitos, listados acima, tentarão passar. Estamos descontentes com o governo, mas isso não é motivo para apoiar um golpe na nossa frágil e importante democracia. Além do mais, os que conduzem o processo de impeachment não tem autoridade moral ou legal para fazê-lo.

Entretanto, se o golpe acontecer, não vamos nos acomodar. Cada um de nós vai encontrar forças onde nem sabia que tinha para não deixar a noite escura nos envolver. Quanto mais avançarmos agora mais fácil será apoiar ou pressionar o governo, no futuro, para tomar novos rumos, qualquer que seja esse governo. Somos muitos! Isso está provado (Recife fez a maior manifestação de sua história contra o golpe!).  Converse com qualquer pessoa que esteja desinformada desde que não sejam os violentos fascistas açulados pela Globo. Argumente, ouça pacientemente. O senso comum não pode derrotar o pensamento científico (dados sobre a realidade), mas precisamos evitar violência que é o que muitos querem. 

Vamos fazer uma grande manifestação de pessoas solidárias, generosas, democráticas, humanistas, socialistas, ecologistas… 

Mídia internacional denuncia golpe e manipulação midiática


Glenn Greenwald, jornalista escolhido por Edward Snowden para revelar ao mundo a espionagem do governo americano, publicou uma fortíssima denúncia contra a tentativa de golpe em curso no Brasil.

THE INTERCEPT (Estados Unidos): Brazil Is Engulfed by Ruling Class Corruption and a Dangerous Subversion of Democracy 

Entrevista de Gleen Greenwald para o Democracy Now


 

PUBLICO (Portugal): A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil – Publico – Portugal

DER SPIEGEL (Alemanha): Golpe frio no Brasil

THE ECONOMIST (Inglaterra):  Juiz Moro pode ter ido longe demais 

AL JAZEERA (Emirados Arábes): The Listening Post (Full) – Dilma Rousseff’s Watergate

EL PAÍS (Espanha): O Brasil perante o abismo

THE HUFFINGTON POST (Estados Unidos): Os deslizes do juiz Sérgio Moro

CEPAL: CEPAL manifesta preocupação diante de ameaças à democracia brasileira

ONU: Escritório de Direitos Humanos da ONU afirma preocupação com contexto político brasileiro

THE WIRE (India): A Coup is in the Air: The Plot to Unsettle Rousseff, Lula and Brazil

LE FIGARO (França):  Brésil : indignation après la publication d’une écoute téléphonique entre Rousseff et Lula

BBC NEWS (Estados Unidos): Brazil crisis: There may be bigger threats than Rousseff’s removal

LOS ANGELES TIMES (Estados Unidos): The politicians voting to impeach Brazil’s president are accused of more corruption than she is

THE WASHINGTON POST (Estados Unidos): How the release of wiretapped conversations in Brazil threatens its democracy

Manifesto de intelectuais estrangeiros: BRAZILIAN DEMOCRACY IS SERIOUSLY THREATENED

Manifesto de professores da FAU-USP em favor da legalidade e da democracia

20100302fau004

Manifesto de professores da FAU-USP em favor da legalidade e da democracia

 

Na qualidade de docentes e profissionais de Arquitetura e Urbanismo comprometidos com cidades e sociedades mais justas, não podemos tolerar que nossas instituições democráticas, construídas sob décadas de lutas sociais, a começar pela Constituição de 1988, sejam desmanchadas num crescente processo de embrutecimento do país.

Nesses termos subscrevemos com nossos colegas da EACH a manifestação que afirma nossa posição em defesa do Estado Democrático de Direito:

Ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com a população indignada com as denúncias de corrupção que se sucedem há anos em nosso país, surgidas a cada nova investigação conduzida pelos poderes Judiciário e Legislativo – e que envolvem praticamente todos os principais partidos políticos – ressaltamos a importância de que o trabalho de investigação observe o devido processo legal, respeite garantias individuais e preserve as instituições e valores democráticos, tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.

Repudiamos o enviesamento da cobertura midiática, pautada pela espetacularização dos fatos e pela tentativa de imputar culpabilidade antes das apurações e do amplo direito de defesa. Condenamos, portanto, a prática de vazamentos seletivos à imprensade informações relativas às investigações, os quais ao fim e ao cabo resultam no progressivo esfacelamento da imagem de nossas instituições perante a opinião pública.

Preocupa-nos o clima de convulsão social, agravado a cada minuto. A legalidade e a democracia devem ser preservadas a todo custo, e não é admissível que a mídia, organizações da sociedade civil ou os diferentes movimentos que ocupam as ruas tomem para si o exercício da aplicação da justiça.

Chamamos a atenção para o imperativo da manutenção das garantias constitucionais, para a necessidade de construção do diálogo e para a importância de que todos os agentes públicos trabalhem pela efetivação dos preceitos previstos na Carta Magna promulgada em 1988.

 

Assinam este documento:

Alvaro Puntoni

Ana Barone

Ana Castro

Ana Lanna

Angelo Filardo

Antonio Carlos Barossi

Beatriz Rufino

Caio Santo Amore

Camila D’Ottaviano

Catharina Pinheiro

Eduardo Nobre

Erminia Maricato

Eugênio Queiroga

Fábio Mariz Gonçalves

Flávia Brito

Flávio Villaça

Gil Barros

Giselle Beiguelman

Guilherme Wisnik

Joana Melo

João Meyer

João Whitaker

Jorge Bassani

José Lira

Karina Leitão

Khaled Ghoubar

Klara Kaiser

Leandro Medrano

Luciana Royer

Luiz Recaman

Marcos Braga

Maria Cecília França Lourenço

Maria Cristina da Silva Leme

Maria de Lourdes Zuquim

Maria Lucia Refinetti Martins

Mário Henrique D’Agostino

Nilce Aravecchia Botas

Nilton Ricoy

Nuno Fonseca

Paula Santoro

Paulo Cesar Xavier Pereira

Raquel Rolnik

Reginaldo Ronconi

Rosana Miranda

Tatiana Sakurai

Vera Pallamin

Vladimir Bartalini

 

NOTAS E MANIFESTOS DAS ULTIMAS SEMANAS

20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, na avenida Paulisa, em São Paulo. Foto Paulo Pinto/Agencia PT

20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, na avenida Paulisa, em São Paulo. Foto Paulo Pinto/Agencia PT

SOMOS MUITOS!

Vejam numerosas manifestações de entidades da sociedade brasileira pela democracia e contra o golpe: religiosos, cientistas, professores, pesquisadores, governadores, trabalhadores operários, movimentos sociais, arquitetos, geógrafos, economistas, planejadores, profissionais da saúde, evangélicos, jornalistas, artistas e intelectuais, movimento negro, movimento LGBT, músicos, juristas, entre muitos outros . . .

 


 (atualizado em 28/03/2016)