Depoimento do Prof. Pedro Campos (UFF) sobre as empreiteiras brasileiras e a sua relação com a ditadura militar

Quem quer o impeachment quer acabar com a corrupção?

Entenda quando a corrupção entre as empreiteiras e o Estado começou e porque a operação Lava Jato e o impeachment não são as respostas para pôr fim a essa relação


O vídeo sobre o livro Estranhas Catedrais: as empreiteiras e a ditadura civil militar, 1964-1988, do professor Pedro Campos, do Departamento de História e Relações Internacionais da UFRRJ, revela a relação espúria entre as empreiteiras, grande parte das quais envolvida em corrupção até os dias atuais, e o regime militar brasileiro, quando muitas empresas enriqueceram à custa de corrupção e apoio ao regime de exceção.

Nesse vídeo, que foi veiculado durante o debate A Crise política e produção da cidade: democracia, justiça urbana e social, o autor revela o porquê da operação lavajato não ter como objetivo o fim destas relações corruptas que se estendem até hoje.

O debate aconteceu na FAU-USP, no dia 31 de março, com a participação de arquitetos e arquitetas da capital, dentre os quais Raquel Rolnik, Nilce Aravechia, Ermínia Maricato, Khaled Ghoubar, Flávio Villaça, Caio de Santo Amore. Na ocasião os professores de arquitetura expressaram os motivos pelos quais são contrários ao impeachment e a favor de saídas democráticas para a crise.

Confira, comente e compartilhe o vídeo, o momento exige a participação de todas e todos.

via: http://www.sasp.arq.br/#!Quem-quer-o-impeachment-quer-acabar-com-a-corrupção/c1l3y/570e9f3d0cf2e66d024d4a25

MANIFESTO DAS ASSESSORIAS TÉCNICAS EM HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

Arquitetos que assessoram movimentos sociais na produção participativa da moradia visando garantir o direito a arquitetura que vai além do direito à moradia.


MANIFESTO DAS ASSESSORIAS TÉCNICAS EM HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

AMBIENTE | BRASIL HABITAT | FÁBRICA URBANA | INTEGRA | PEABIRU | USINA

assessorias

CONTRA O GOLPE, PELA DEMOCRACIA, JUSTIÇA URBANA E SOCIAL

Este é mais UM MANIFESTO. É um a mais entre tantos outros que vêm sendo assinados por juristas, professores universitários, pesquisadores, militantes de movimentos sociais e outros setores da sociedade civil. Somos poucos, um grupo numericamente inexpressivo e com atuação em um campo bastante restrito. Somos PROFISSIONAIS QUE TÊM SE DEDICADO À LUTA PELA MORADIA DIGNA E PELO DIREITO À CIDADE, ao apoio a movimentos populares, atuando diretamente em projetos e obras de urbanização de favelas, regularização fundiária, produção habitacional em autogestão; vivenciando as precariedades e as melhoras das complexas periferias da metrópole paulistana contemporânea. Este é um manifesto contra o golpe de Estado, contra uma certa legalidade que vem sendo gestada nos meandros do do judiciário, contra arranjos espúrios no legislativo, tudo com amplo apoio da grande mídia. É um manifesto contra a “politização do judiciário” e a “judicialização da política”. Não é uma defesa cega desse governo e de suas práticas. É um manifesto PELA DEMOCRACIA, PELA LEGITIMIDADE DE NOSSAS INSTITUIÇÕES, PELA JUSTIÇA URBANA E SOCIAL, que são agendas absolutamente inconclusas e que mereceriam o esforço e o compromisso de toda a sociedade.

Vivemos numa cidade que é tomada como mercadoria, não como lugar de convivência e usufruto de todos o seres humanos que nela habitam. É o lugar onde empreendedores (e, ideologicamente, o cidadão comum) agem para tirar o maior proveito privado do espaço urbano, onde a pobreza e a desigualdade são marcadas no território e são problemas que parecem não nos dizer respeito. Diante desse quadro, que mudanças devemos pretender? É a corrupção (dita como a maior de toda a nossa história) o mal a ser combatido?

A corrupção que vem sendo deflagrada pelas investigações envolve muitos partidos (quase todos), agentes públicos e GRANDES EMPREITEIRAS – as mesmas que atuavam em governos anteriores, todas estruturadas durante a ditadura militar e que até pouco tempo enchiam os brasileiros de orgulho por estarem construindo as maiores obras de infraestrutura do planeta. Quanto custa a construção de uma plataforma marítima de extração de petróleo? Um estádio de futebol? Um aeroporto? Um sistema de BRT (Bus Rapid Transport) ou alguns quilômetros e um conjunto de estações de uma linha de metrô? E quanto custa construir mil casas populares? Ninguém sabe! São informações guardadas a sete chaves, com sistemas de orçamentos que mantêm “gorduras sistêmicas”, que não revelam os ganhos de produtividade, permitem aditamentos sucessivos e intransparência nos custos diretos e na lucratividade. Como temos visto, é dessa fonte que sai boa parte dos financiamentos de campanhas eleitorais e de todo o sistema político brasileiro, dos favorecimentos pessoais a governantes e a agentes públicos que decidem sobre as obras.

A corrupção, em sentido lato, não está apenas nessa operação, nas grandes obras urbanas e de infraestrutura. A CORRUPÇÃO TEM NO ESPAÇO URBANO UM CAMPO FÉRTIL: empreendimentos de grande porte que burlam a lei, empreendedores e proprietários que pressionam o poder legislativo para mudanças casuísticas de parâmetros de uso e ocupação do solo, fiscais que fazem vista grossa ou aprovam “puxadinhos” também em bairros residenciais de alta renda, negligências e conivências para as ocupações de áreas ambientalmente frágeis… E a cidade toda, construída e reconstruída “dentro -fora da lei”, faz da exceção regra, cria leis que não podem ser cumpridas, flexibiliza outras para atender aos interesses do mercado. Não se trata apenas das ações dos trabalhadores, das famílias de baixa renda a quem não resta alternativa habitacional, mas de práticas correntes (e muitas vezes legais) das elites. Por exemplo: proprietários de terra, loteadores e uma extensa cadeia produtiva alimenta e vive do “desejo de segurança”, da “privacidade” e “exclusividade” nos residenciais e loteamentos (erroneamente chamados de “condomínios”) que se alastram por cidades médias e municípios periféricos metropolitanos, fechados por meio de exceções à legislação federal de parcelamento do solo! A cidade, como de resto o nosso sistema político e o nosso cotidiano, é um mostruário de pequenas e grandes corrupções, de conflitos e defesas de interesses!

Somos contra a corrupção! Ser contra a corrupção implica também defender a clareza sobre os processos de produção no setor da construção civil, sobre custos e lucros, sobre os ganhos do valor gerado pelo trabalho humano de operários que transformam tijolo e argamassa em parede; sobre as regras e o “interesse público” na produção do espaço urbano. As assessorias técnicas trabalham junto com movimentos de luta por moradia e com comunidades para que os excedentes desses processos produtivos possam ser socializados, que possam se converter em unidades habitacionais melhores, maiores, mais bonitas e mais adequadas às necessidades das famílias que participam de todo o processo de projeto e construção. Trabalham para que a população de baixa renda possa ter o seu lugar na cidade e para que as regras e exceções que organizam a produção dessa cidade possam ser claras, compreensíveis e decididas com a participação de todos os cidadãos.

Queremos que as investigações avancem que se punam todos os responsáveis. Mas condenamos as ações ilegais, os vazamentos e as investigações seletivas, o pré-julgamento midiático e linchamento público, a supressão de direitos de defesa! Nosso sistema político, a relação entre os poderes executivos e legislativos, os contratos públicos e a própria produção da cidade (legal ou ilegal) favorecem as corrupções. QUEREMOS MUDANÇAS e queremos que elas sejam feitas por meio do fortalecimento das nossas instituições democráticas, da transparência, do controle social e participação popular na condução e nas decisões da política, em especial das políticas urbanas, por meio da garantia e ampliação de direitos urbanos.

HOJE! PRAÇA DA SÉ | 16hs

PORQUE VAMOS ÀS RUAS HOJE?

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A agenda do congresso nacional (Projetos de Lei que lá estão esperando uma “brecha” para votação) mostra o interesse das forças conservadoras e antidemocráticas: redução da maioridade penal, mudança no estatuto do desarmamento, diminuição de direitos trabalhistas, autonomia do congresso para demarcação de terras indígenas, privatização do pré sal, autonomia do Banco Central (os donos do dinheiro querem mais independência apesar de ganharem, com juros, neste ano, mais de R$ 530 bilhões!!!!!!) São PLs que, somados a outros tentam atacar os direitos dos trabalhadores, homossexuais, mulheres, meio ambiente, segurança alimentar, soberania nacional, políticas sociais…

A defesa do mandato de Dilma contra quem não pesa crimes provados – #impeachmantsemcrimeégolpe – e se pedaladas são crimes temos que levar o impedimento a boa parte dos governos do país –  significa a defesa da democracia. Significa fechar a porteira pela qual os ataques aos direitos, listados acima, tentarão passar. Estamos descontentes com o governo, mas isso não é motivo para apoiar um golpe na nossa frágil e importante democracia. Além do mais, os que conduzem o processo de impeachment não tem autoridade moral ou legal para fazê-lo.

Entretanto, se o golpe acontecer, não vamos nos acomodar. Cada um de nós vai encontrar forças onde nem sabia que tinha para não deixar a noite escura nos envolver. Quanto mais avançarmos agora mais fácil será apoiar ou pressionar o governo, no futuro, para tomar novos rumos, qualquer que seja esse governo. Somos muitos! Isso está provado (Recife fez a maior manifestação de sua história contra o golpe!).  Converse com qualquer pessoa que esteja desinformada desde que não sejam os violentos fascistas açulados pela Globo. Argumente, ouça pacientemente. O senso comum não pode derrotar o pensamento científico (dados sobre a realidade), mas precisamos evitar violência que é o que muitos querem.

Vamos fazer uma grande manifestação de pessoas solidárias, generosas, democráticas, humanistas, socialistas, ecologistas…

PORQUE VAMOS À RUA NESTE 31 DE MARÇO

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DIA 31 DE MARÇO | 16hs | PRAÇA DA SÉ

A agenda do congresso nacional (Projetos de Lei que lá estão esperando uma “brecha” para votação) mostra o interesse das forças conservadoras e antidemocráticas: redução da maioridade penal, mudança no estatuto do desarmamento, diminuição de direitos trabalhistas, autonomia do congresso para demarcação de terras indígenas, privatização do pré sal, autonomia do Banco Central (os donos do dinheiro querem mais independência apesar de ganharem, com juros, neste ano, mais de R$ 530 bilhões!!!!!!) São PLs que, somados a outros tentam atacar os direitos dos trabalhadores, homossexuais, mulheres, meio ambiente, segurança alimentar, soberania nacional, políticas sociais…

A defesa do mandato de Dilma contra quem não pesa crimes provados – #impeachmantsemcrimeégolpe – e se pedaladas são crimes temos que levar o impedimento a boa parte dos governos do país –  significa a defesa da democracia. Significa fechar a porteira pela qual os ataques aos direitos, listados acima, tentarão passar. Estamos descontentes com o governo, mas isso não é motivo para apoiar um golpe na nossa frágil e importante democracia. Além do mais, os que conduzem o processo de impeachment não tem autoridade moral ou legal para fazê-lo.

Entretanto, se o golpe acontecer, não vamos nos acomodar. Cada um de nós vai encontrar forças onde nem sabia que tinha para não deixar a noite escura nos envolver. Quanto mais avançarmos agora mais fácil será apoiar ou pressionar o governo, no futuro, para tomar novos rumos, qualquer que seja esse governo. Somos muitos! Isso está provado (Recife fez a maior manifestação de sua história contra o golpe!).  Converse com qualquer pessoa que esteja desinformada desde que não sejam os violentos fascistas açulados pela Globo. Argumente, ouça pacientemente. O senso comum não pode derrotar o pensamento científico (dados sobre a realidade), mas precisamos evitar violência que é o que muitos querem. 

Vamos fazer uma grande manifestação de pessoas solidárias, generosas, democráticas, humanistas, socialistas, ecologistas… 

mídia internacional denuncia golpe e manipulação midiática


Glenn Greenwald, jornalista escolhido por Edward Snowden para revelar ao mundo a espionagem do governo americano, publicou uma fortíssima denúncia contra a tentativa de golpe em curso no Brasil.

THE INTERCEPT (Estados Unidos): Brazil Is Engulfed by Ruling Class Corruption and a Dangerous Subversion of Democracy 

Entrevista de Gleen Greenwald para o Democracy Now


 

PUBLICO (Portugal): A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil – Publico – Portugal

DER SPIEGEL (Alemanha): Golpe frio no Brasil

THE ECONOMIST (Inglaterra):  Juiz Moro pode ter ido longe demais 

AL JAZEERA (Emirados Arábes): The Listening Post (Full) – Dilma Rousseff’s Watergate

EL PAÍS (Espanha): O Brasil perante o abismo

THE HUFFINGTON POST (Estados Unidos): Os deslizes do juiz Sérgio Moro

CEPAL: CEPAL manifesta preocupação diante de ameaças à democracia brasileira

ONU: Escritório de Direitos Humanos da ONU afirma preocupação com contexto político brasileiro

THE WIRE (India): A Coup is in the Air: The Plot to Unsettle Rousseff, Lula and Brazil

LE FIGARO (França):  Brésil : indignation après la publication d’une écoute téléphonique entre Rousseff et Lula

BBC NEWS (Estados Unidos): Brazil crisis: There may be bigger threats than Rousseff’s removal

LOS ANGELES TIMES (Estados Unidos): The politicians voting to impeach Brazil’s president are accused of more corruption than she is

THE WASHINGTON POST (Estados Unidos): How the release of wiretapped conversations in Brazil threatens its democracy

Manifesto de intelectuais estrangeiros: BRAZILIAN DEMOCRACY IS SERIOUSLY THREATENED

manifesto de professores da fauusp em favor da legalidade e da democracia

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Manifesto de professores da FAU-USP em favor da legalidade e da democracia

Na qualidade de docentes e profissionais de Arquitetura e Urbanismo comprometidos com cidades e sociedades mais justas, não podemos tolerar que nossas instituições democráticas, construídas sob décadas de lutas sociais, a começar pela Constituição de 1988, sejam desmanchadas num crescente processo de embrutecimento do país.

Nesses termos subscrevemos com nossos colegas da EACH a manifestação que afirma nossa posição em defesa do Estado Democrático de Direito:

Ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com a população indignada com as denúncias de corrupção que se sucedem há anos em nosso país, surgidas a cada nova investigação conduzida pelos poderes Judiciário e Legislativo – e que envolvem praticamente todos os principais partidos políticos – ressaltamos a importância de que o trabalho de investigação observe o devido processo legal, respeite garantias individuais e preserve as instituições e valores democráticos, tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.

Repudiamos o enviesamento da cobertura midiática, pautada pela espetacularização dos fatos e pela tentativa de imputar culpabilidade antes das apurações e do amplo direito de defesa. Condenamos, portanto, a prática de vazamentos seletivos à imprensade informações relativas às investigações, os quais ao fim e ao cabo resultam no progressivo esfacelamento da imagem de nossas instituições perante a opinião pública.

Preocupa-nos o clima de convulsão social, agravado a cada minuto. A legalidade e a democracia devem ser preservadas a todo custo, e não é admissível que a mídia, organizações da sociedade civil ou os diferentes movimentos que ocupam as ruas tomem para si o exercício da aplicação da justiça.

Chamamos a atenção para o imperativo da manutenção das garantias constitucionais, para a necessidade de construção do diálogo e para a importância de que todos os agentes públicos trabalhem pela efetivação dos preceitos previstos na Carta Magna promulgada em 1988.

Assinam este documento:

Alvaro Puntoni

Ana Barone

Ana Castro

Ana Lanna

Angelo Filardo

Antonio Carlos Barossi

Beatriz Rufino

Caio Santo Amore

Camila D’Ottaviano

Catharina Pinheiro

Eduardo Nobre

Erminia Maricato

Eugênio Queiroga

Fábio Mariz Gonçalves

Flávia Brito

Flávio Villaça

Gil Barros

Giselle Beiguelman

Guilherme Wisnik

Joana Melo

João Meyer

João Whitaker

Jorge Bassani

José Lira

Karina Leitão

Khaled Ghoubar

Klara Kaiser

Leandro Medrano

Luciana Royer

Luiz Recaman

Marcos Braga

Maria Cecília França Lourenço

Maria Cristina da Silva Leme

Maria de Lourdes Zuquim

Maria Lucia Refinetti Martins

Mário Henrique D’Agostino

Nilce Aravecchia Botas

Nilton Ricoy

Nuno Fonseca

Paula Santoro

Paulo Cesar Xavier Pereira

Raquel Rolnik

Reginaldo Ronconi

Rosana Miranda

Tatiana Sakurai

Vera Pallamin

Vladimir Bartalini

notas e manifestos das últimas semanas

20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, na avenida Paulisa, em São Paulo. Foto Paulo Pinto/Agencia PT
20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, na avenida Paulisa, em São Paulo. Foto Paulo Pinto/Agencia PT

SOMOS MUITOS!

Vejam numerosas manifestações de entidades da sociedade brasileira pela democracia e contra o golpe: religiosos, cientistas, professores, pesquisadores, governadores, trabalhadores operários, movimentos sociais, arquitetos, geógrafos, economistas, planejadores, profissionais da saúde, evangélicos, jornalistas, artistas e intelectuais, movimento negro, movimento LGBT, músicos, juristas, entre muitos outros . . .


 (atualizado em 28/03/2016)

entrevista “as cidades, o mosquito e as reformas” | região e redes

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Entrevista “As cidades, o mosquito e as reformas” | Região e Redes

Tão urgente quanto a reforma política e tributária, o debate sobre a reforma urbana subiu ao topo da agenda em meio à séria crise de saúde pública causada pela infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika e do chikungunya, além dos vírus causadores da dengue e da febre amarela. Um olhar para além da saúde pública se faz necessário para entender o que nos faz conviver com esse mosquito há décadas.

Entrevista da Profa. Erminia Maricato para o Região e Redes – Caminho da universalização da saúde no Brasil

filmes: fim de semana (1975) e loteamento clandestino (1978)

Filme: FIM DE SEMANA (1975)

O filme FIM DE SEMANA foi realizado em 1975. Nele eu pretendia mostrar o universo absolutamente desconhecido da moradia dos trabalhadores nas periferias de São Paulo. O conhecimento dessa realidade teve como pioneiros estudos e pesquisas de Carlos Lemos e  Maria Ruth Amaral de Sampaio.

Sergio Ferro fez uma incrível reflexão sobre o objeto desses estudos: a autoconstrução da casa, baseado nos estudos de Marx: o produto é um enxuto resultado do processo de produção (1- recursos pingados – sem financiamento, 2-  materiais, os mais baratos disponíveis nas proximidades, 3- mão de obra doméstica disponível nos fins de semana e técnica consolidada). Sergio comparou esse processo ao bolo caseiro: gasta-se o mínimo necessário para colocar em pé um bolo ou uma casa. Finalmente, Chico de Oliveira seguindo essa trilha de pioneiros mostrou que essa força de trabalho, que trabalhava nos fins de semana para construir sua moradia, o fazia devido aos baixos salários e, portanto, contribuía com o processo de acumulação capitalista.

O diretor do filme, Renato Tapajós tinha acabado de sair da prisão onde permanecera por quase 5 anos por ter lutado contra a ditadura. Eu peguei a indenização por ter saído de um emprego e paguei o filme (os custos de um 16 mm) que contou com a participação gratuita de muitos amigos. Apresentei o filme na reunião da SBPC de 1975. A partir daí ele teve uma carreira muito bem sucedida em cine clubes de todo o brasil. Essas pesquisas geraram um livro que organizei – A produção capitalista da casa e da cidade no brasil industrialO livro foi lançado em 1979 pela editora Alfaomega, com apresentação de Chico de Oliveira e textos de Paul Singer, Rodrigo Lefévre, Gabriel Bolaffi, Raquel Rolnik, Nabil Bonduki, além do meu.

Filme: LOTEAMENTO CLANDESTINO (1978)

O filme LOTEAMENTO CLANDESTINO nasceu para ser um instrumento pedagógico de corte paulofreyreano, em 1978. Pretendia explicar aos compradores de loteamentos ilegais porque não eram donos formais de seus lotes após comprar e pagar a imobiliárias que os vendiam em plena luz do dia. Milhares de famílias que não cabiam no mercado formal e, portanto, sem alternativas acabavam nas mãos dessas imobiliárias.  A maior parte delas estava situada em área de proteção dos mananciais longe dos olhos do urbanismo que se praticava nos governos.

Muitos de nós estávamos militando nas comunidades eclesiais de base da igreja católica nas periferias de São Paulo. Em plena ditadura tínhamos um guarda chuva. Simulamos, por meio de um teatro, o papel do loteador e da prefeitura.

Os atores eram lideranças que despontavam nos movimentos sociais urbanos locais (Joana, Efraudísio, por exemplo) e companheiros egressos da luta contra a ditadura como Amilcar e Caio Boucinhas. Outros participantes ainda estavam clandestinos como era o caso de Moacyr Villela que montou o filme com o nome de Rubens de Carvalho. Uma produtora de cinema – Spectrus – que pertencia ao medico Sergio Taufik, nos ajudou a financiar os custos, mas todos trabalharam voluntariamente e gratuitamente como câmeras, som, etc. O arquiteto Walter Ono fez a animação inicial da apresentação.

A má qualidade do som e o desbotamento das cores não impedem de perceber a dimensão dessa urbanização capitalista periférica.

Veja os filmes aqui: https://erminiamaricato.net/filmes/